O lance de US$ 6 bilhões do Google pelo Groupon, um site de vendas coletivas, é um movimento agressivo para dominar a publicidade local online e apoiar seu aguardado investimento em redes sociais. O Google ofereceu ao Groupon US$ 5,3 bilhões, com a promessa de US$ 700 milhões em bônus de desempenho, de acordo com uma fonte próxima ao assunto, que falou sob condição de anonimato. Várias pessoas próximas ao negócio disseram que o Groupon deve aprovar a aquisição e um acordo pode ser assinado ainda esta semana.
Se o negócio for concluído, esta será a maior aquisição do Google, superando a compra da da DoubleClick por US$ 3,1 bilhões em 2007. A aquisição também significaria cheques bem gordos para Andrew Mason, fundador de 30 anos do Groupon, e seus investidores, um grupo que inclui a Battery Ventures, a Digital Sky Technologies, a Accel Partners e a New Enterprise Associates. Eles investiram aproximadamente US$ 170 milhões na empresa nos últimos dois anos.
Mason, presidente-executivo do Groupon, recusou um pedido de entrevista, dizendo que iria falaria "apenas sobre minha outra paixão, a construção de casas de bonecas em miniatura".
O negócio deixou os investidores do Google ansiosos por causa do alto preço e também pelas dúvidas sobre a eficácia da empresa na geração de vendas para os comerciantes.
O Google tem razões para querer o GroupOn, que oferece grandes descontos em lojas locais, restaurantes e serviços. Consumidores ávidos muitas vezes mobilizam amigos e familiares pelo Facebook e Twitter, ajudando a difundir conceito do negócio.
Groupon foi recentemente ampliado para promoções nacionais; uma promoção Gap no verão passado gerou US$ 11 milhões em receita em um dia.
Analistas estimam que Groupon, que afirma ser rentável, tenha receita anual de mais de US$ 500 milhões.
O novo-rico ajudaria o Google a entrar na área de publicidade local e dar-lhe uma visão específica sobre hábitos de consumo. A publicidade local online deve crescer 18%, para US$ 16,1 bilhões, no próximo ano, de acordo com a empresa de pesquisa de publicidade Borrell Associates.
O negócio também pode dar acesso ao Google a uma grande força de vendas que conhece os donos das pizzarias de bairro e pistas de boliche. O Groupon tem 3.100 funcionários.
Além disso, a natureza viral do Groupon pode dar ao Google um importante pontapé inicial na direção das redes sociais. O Google não teve sucesso na tentativa de criar uma rede social e teme que o crescente poder da máquina de publicidade do Facebook, que produz mais resultados para os anunciantes, pois as pessoas recomendam produtos e serviços para seus amigos.
O Groupon atende na América do Norte, América Latina e Europa e diz ter 35 milhões de assinantes em todo o mundo.
Investidores do Google, no entanto, parecem focados na valorização do Groupon, que foi estimado em US$ 1,4 bilhão durante a sua última rodada de captação de recursos em abril. A oferta do Google é quatro vezes maior que esse valor. Na terça-feira, alguns investidores questionaram se a empresa estava pagando um preço alto demais.
- A valorização multibilionária para uma empresa que está em um negócio praticamente sem barreiras à entrada e é mais jovem que meu bebê é um absurdo - disse Sucharita Mulpuru, analista da Forrester Research.
Fonte: Globo Online