Fábrica de semicondutores será instalada no interior de São Paulo

Uma joint-ventures entre a fabricante norte-americana de chips Symetrix e o grupo brasileiro Encalso-Damha vai propiciar a construção de uma fábrica de semicondutores em São Carlos (interior de SP). A iniciativa consumirá, nos primeiros três anos, investimentos de US$ 150 milhões (em torno de R$ 303,5 milhões).

A fábrica, que começa a ser construída no segundo semestre de 2009 e deve ficar pronta em meados de 2011, tem previsão de iniciar atividades com capacidade para 100 milhões de chips por ano. “É mais ou menos o volume do mercado brasileiro hoje. Com isso, o Brasil não teria por que importar os chips tendo uma fábrica aqui. Vamos ter preço e qualidade para competir com produtos da Ásia”, disse Ricardo Castello Branco, diretor comercial da joint-venture chamada Symetrix Systems, em entrevista por telefone.

Ele citou como incentivos para o investimento o projeto do governo federal em instituir um “RG eletrônico”, em que as cédulas de identidade do País serão substituídas por cartões com chips contendo os dados dos cidadãos que estão distribuídos atualmente entre vários documentos.

A fábrica utilizará discos de silício (conhecidos como wafers) importados, inicialmente, para a produção dos chips de memória. “Para um estágio futuro ficaria uma produção local dos wafers, mas isso depende do mercado brasileiro, que ainda não justifica um investimento deste porte”, disse o executivo.

Inicialmente, o foco da unidade, que será dividida meio a meio com o grupo Encalso-Damha, é atender o mercado interno com foco em chips de memória do tipo “ferro-elétrica”, usadas em bilhetes de metrô e ônibus e rastreabilidade de animais, por exemplo, disse Castello Branco.

A fábrica será instalada no Parque Eco-Tecnológico que deve ser lançado em São Carlos no primeiro semestre de 2009. A cidade foi escolhida porque o grupo Encalso-Dahma já possui empreendimentos imobiliários na região, que concentra pólos de produção científica em semicondutores, afirmou o executivo.

“Na região temos 8 mil estudantes se formando por ano, mas a gente via os clientes indo embora para outras cidades maiores. A idéia é ter gente trabalhando, morando e tendo lazer no mesmo ambiente”, disse o executivo. “Queremos atrair empresas de porte para o parque, para fixar os clientes”, acrescentou.

Também num estágio futuro, a joint-venture avaliará produção de outros tipos de memória e também exportação para países como os Estados Unidos, disse Castello Branco.

A Symetrix foi fundada na década de 1980 pelo empresário brasileiro Carlos Paes de Araujo e tomou a decisão de expandir sua atuação para o Brasil depois que o governo federal elegeu o setor de semicondutores como um dos prioritários para o desenvolvimento do País.




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